Vamos falar de Mobilidade – ONG Criança Segura promove o uso da bike para os pequenos com segurança e Painel Mobilidade discute soluções para viabilizar tudo isso

“Todo mundo tem um papel de tornar a infância mais segura e mais ativa”.

É com essa frase que Carlos Henrique Rodrigues Lopes, coordenador de campanhas da ONG Criança Segura, trouxe essa pauta ao Shimano Fest 2018, espaço Mobilidade, e falou sobre como é importante promover a prevenção de acidentes com crianças e adolescentes até 14 anos.

A palestra da ONG aconteceu no domingo (16) e refletiu sobre maneiras mais inteligentes de incluir a criançada nas pedaladas com segurança, distribuindo essa responsabilidade entre marcas, governo e famílias.  

Carlos defende a ideia que uma criança ativa é muito mais segura, pois tem mais apropriação motora de seus movimentos.

“É mais ou menos quando você aprende a cair. A criança ativa tem mais controle sobre suas funções motoras. Como no judô, por exemplo. Não é a toa que a primeira lição nessa arte marcial é aprender a cair. Uma criança mais ativa conhece corporalmente os riscos”, completa ele.

Entre os benefícios dos pequenos cultivarem o esporte de duas rodas, o coordenador cita os principais como segurança, consciência corporal, físicos em geral, emocionais, sociais, entre outros.

Desde as primeiras pedaladas

(André Crispin / FS Fotografia)

Mas, para que esse oceano azul de benefícios se estabeleça, faltam alguns ajustes e uma força tarefa entre sociedade civil e poder público. E, o primeiro passo para isso é ter base em dados.

Para a ONG Criança Segura, é preciso pensar nas seguintes medidas: mobilização quanto a quantificar o uso de capacete e os demais equipamentos de segurança para crianças, entender como as crianças estão pedalando, analisar em números a origem das ocasiões em que aconteceram óbitos e hospitalizações em relação a quilômetros pedalados

Porém, e em paralelo, é importante educar nossas crianças a compreender que andar de bike é algo que envolve vários fatores de educação, direitos e obrigações, além do prazer e divertimento. “É incentivar que se saia da “bolha” familiar, respeite e interaja com o entorno”, completou Carlos.

Para isso, é preciso ensinar o pequeno ciclista sobre:

-Leis de trânsito;

– A conexão dela, como cidadão, com os equipamentos de segurança;

– Ensina-los a cuidar da nossa cidade;

– Ser sustentável nessa atividade, conscientizando esse pequeno ser humano sobre os benefícios ao meio ambiente quando se locomove de bike.

E, por último, mostrar a essas crianças, na prática que, além de todos esses benefícios, esse tempo que se passa em família é eterno e saudável, em todos os sentidos.

Cobre seus gestores públicos também!

A sua conscientização não isenta a parcela da gestão pública. É nossa obrigação, como cidadãos, lembra-los que temos a direito a infraestrutura nas ruas da cidade, melhor pavimentação e que promovam campanhas que efetivem programas de educação de trânsito, e Centros de Treinamento regionais, como já existe o Centro de Treinamento da Barra Funda.

Que o governo disponibilize também mais conteúdo online, mídias tradicionais, ações itinerantes e atualizações, sempre com olhar regionalizado.

Se interessou sobre o que o poder público tem pensado para reverter situações de risco? Consulte mais informações sobre o plano da CET aqui.

Dados

“Observamos que existe uma mudança no perfil da mortalidade infantil no trânsito”, explicou Gabriela de Freitas, no portal oficial da ONG, coordenadora nacional da ONG Criança Segura e responsável por essa análise: “O atropelamento sempre foi o maior vilão dentre os acidentes de trânsito que envolviam os pequenos, mas quando estudamos a evolução dos dados dos últimos 13 anos, notamos uma grande queda dos atropelamentos, que não necessariamente tem a ver com maior conscientização de segurança viária, mas muito mais com a mudança no estilo de vida e incentivo para uso do carro. Por outro lado, as mortes que envolvem um veículo, como carro ou motocicleta, estão crescendo”.

Em 2017, foram nove acidentes com crianças, sem mortalidade, no centro expandido de SP, o que comprova que, quando se tem pouca estrutura cicloviária, mais acidentes acontecem.

A solução: maneiras regionalizadas, ações voltadas a educação de trânsito e legislação adequada.

E, para finalizar, citamos uma frase de Carlos, não só de efeito, mas de ação: “O futuro é construído com muitas mãos, mas, vamos começar já nessa construção”.

E por falar em Mobilidade

E no sábado (15) o espaço Mobilidade do Shimano Fest foi palco de assuntos justamente que vão de encontro com as aspirações de toda a galera da bike: aplicação correta no que diz respeito a legislação de trânsito e sobre melhorias do péssimo estado nas vias pavimentadas.

Mas, além do poder público agir de maneira mais incisiva, os participantes que passaram pelo microfone levantaram a necessidade de consciência mais ampla dos ciclistas: “O ciclista tem que ter a consciência de que precisa ajudar a melhorar a mobilidade urbana, trazer para si a responsabilidade”, completou Celso Miranda, jornalista, narrador, apresentador, repórter e blogueiro.

“É se apropriar da cidade, fazer parte dela, cuidar dela”, lembrou Luiz Felipe Marques, da Yellow, as famosas bicicletas amarelas. “As cidades nasceram para serem um local de encontro. Hoje, os maiores símbolos de São Paulo são as marginais. Com essa perspectiva, perde-se a imagem dela como ponto de encontro”, completou.

(André Crispin / FS Fotografia)

Fernando Cheles, um dos atletas que encabeça o projeto Arena Radical, iniciativa que tem como missão desenvolver a cidadania e a socialização por meio dos esportes como aulas de skate, bike na modalidade downhill (descidas em trilhas) e BMX (manobras), slack-line (prática de equilíbrio sobre corda) e introdução à mecânica. Durante o evento, o atleta também enfatizou a necessidade de ajudarmos a cidade a ser ocupada por bem-estar, por meio do esporte.

“Precisamos nos apropriar dos espaços debaixo das pontes, por exemplo. Dissociar da miséria e associar à oportunidades esportivas para crianças”, afirmou Cheles.

O painel também abriu espaço para startups e, quando o assunto é empreendedorismo, galera do Sebrae é especialista. Tiago Lobo, do Sebrae, trouxe um tema bem interessante para quem quer empreender no mercado de bikes: o Ciclo Empreendedorismo. Nas oportunidades oferecidas, é necessário ficar atento amilhares de fãs que aderem “a febre do uso de bicicletas”.

“Hoje a cadeia de bike faz o estado de São Paulo ser mais rico e eleva o desenvolvimento econômico”, completou Lobo.

 

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